CIDADE MOEMA: ORIGENS E PIONEIROS

         O território de Moema, desde a descoberta das Minas de Pitangui, foi caminho dos Paulistas que, vindos da Estrada dos Goiases, atravessavam o Rio Grande nas Itaipavas[1] (entre Guapé e Piu-í) e seguiam para Pitangui, no começo, de canoas pelo São Francisco, depois, por vários caminhos via Formiga, Itapecerica, Arcos, etc.

         Os paulistas, a partir de 1720, foram abandonando suas fazendas, saindo das Minas e deixando esse espaço de chão desabitado. Brancos pobres e seus escravos, pretos forros e escravos, fugindo do terrível imposto da Capitação, tomaram toda a Região do Campo Grande, que incluía Moema, onde fundaram povoações que passaram a ser chamadas pelos governantes portugueses de Quilombos. Esses quilombos começaram a ser atacados com violência a partir de 1741, 1743 e 1746.

         Nesse último ano foi destruída a Primeira Povoação do Ambrósio que ficava em dois núcleos onde hoje se situam os atuais municípios de Formiga e Cristais.

         Entre 1756 e 1760, foi preparada e implementada a guerra total aos quilombos. O quilombo de Moema foi destruído em 1758 por uma expedição comandada por Antonio Rodrigues da Rocha, com suas tropas e capitães de mato armados vindos de Pitangui.

         Foi esse Antonio Rodrigues da Rocha que deu nome aos nossos principais ribeirões, inclusive ao Ribeirão de Santo Antonio, como consta do processo de demarcação de sua Sesmaria de 3 léguas quadradas de terras.

         Há evidências de que Antonio Rodrigues da Rocha entrou em briga judicial com  Inácio de Oliveira Campos, potentado de Pitangui, neto da paulista Velho da Taipa e marido da lendária Joaquina do Pompéu. Antonio Rodrigues da Rocha, a partir de 1780/1792 simplesmente SUMIU. Há suspeitas de tenha sido morto por assassinos ligados a Inácio de Oliveira Campos.

         Em 1789/1790, José Álvares Maciel, o Inconfidente acusado de ser aquele que iria fabricar a pólvora para a Revolução, mencionou em seu depoimento que soubera da existência de enxofre na “mina chamada Gontijo”. Depois disto, Manoel da Costa Gontijo, que morava na Igreja Nova, hoje Barbacena, onde tinha uma tropa de 60 homens, deixa de constar nos registros dos arquivos daquela região. Sumiu de lá.

         O que se sabe é que, a partir de 1792/95, já estaria morando na região do Doce, dono de uma Sesmaria que abrangia exatamente a mesma Sesmaria do Ribeirão de Santo Antonio, pertencente ao “desaparecido” Antonio Rodrigues da Rocha. 

         Em nossa região, o Capitão Manoel da Costa Gontijo quase não aparece. Sua mulher, Francisca Romana de Mendonça é quem administrava tudo e fazia todos os negócios. A família teve 18 filhos e filhas, os quais foram se casando com os Ferreira  da Silva, Costa, Basílio, Pereira, Marques, Andrade, Vieira, Brito, Mendonça, Amaral, Martins, Cardoso, Catalunha, Madeira, Chaves, Galvão, etc., dando origem ao “Povoado do Queimado do Ribeirão de Santo Antonio”; há uma mapa de 1830/1850 em que o nosso povoado é denominado como “Povoado dos Gontijos”, ou simplesmente “Gontijos”. Depois é que surgem os povoados chamados “Doce de Baixo” e  “Doce de Cima” tendo, segundo, dado origem ao Povoado e à capela de São Pedro do Doce, hoje, Moema.  

         Tudo isto você pode encontrar com detalhes no livro “Moema – As Origens do Povoado do Doce” – clique.

©Tjmartins – 24.02.2004


[1] Grandes pedreiras dentro do rio que permitiam atravessá-lo a pé com cargas e animais, hoje, encobertas pela Represa de Furnas.

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