QUILOMBO DO CAMPO GRANDE

LADRÕES DA HISTÓRIA


POSFÁCIO

Jorge Lasmar (*)
        
Tarcísio José Martins apresentou ao público leitor este outro livro, o terceiro onde tratou do Quilombo do Campo Grande, com o subtítulo Ladrões da História. Pretendeu fosse um alerta aos ditadores e genocidas para que tenham a certeza de que “não há coisa oculta que não venha a manifestar-se, nem escondida que não se saiba e venha à luz”.
Os leitores puderam verificar que o objetivo foi alcançado.
Da mesma forma que os anteriores, este livro foi escrito com a dedicação do entusiasmo que caracteriza o pesquisador sério, incansável e persistente, que teima em devassar o passado, conhecê-lo, avaliá-lo e enfrentar o futuro.
O Quilombo do Campo Grande constitui quase uma obsessão na vida do portentoso escritor.
O amor à verdade histórica, retratado no rigor da exatidão do que escreve, é produto de primeira linha do historiador que coloca esta verdade acima das afirmações apressadas, das presunções que fogem às regras e evitam as verdadeiras fontes.
Fiel às origens, busca e examina documentos nos arquivos empoeirados, nas pastas e livros cartoriais para alicerçar as suas afirmações vindas de reflexões, sempre atuais.
Reescreve, no bom sentido, a História de Minas Gerais, vence obstáculos, derruba mitos e lendas com a coragem dos homens de bem, dos que assumem a responsabilidade que não teme a crítica honesta e construtiva.
Tarcísio é assim, a sua polêmica não vem do capricho, nem das luzes que se apagam, ela vem do ardor e da paixão que não ofusca a realidade nem perturba os ditames da honestidade intelectual.
Não é fácil contestar opiniões ditas verdadeiras ou correntes, é cômodo não contrariar, concordar ou aceitar as afirmações daqueles que ostentam muitos títulos e láureas, ou dos que assumem ares professorais, que ampliam o domínio da consciência dos mal avisados que não procuram a realidade histórica.
Tarcísio é infatigável, não sei como consegue tempo para estudar, viajar, percorrer cidades, estradas e caminhos e escrever os seus livros.
Ele segue e vai às fontes e foi assim que descobriu, depois de tempo de pesquisa e de dificuldades que se opunham, a escritura da Sesmaria das terras onde estava o Quilombo do Ambrósio.
Sem receio de errar, a obra de Tarcísio não encontra paralelo na literatura brasileira no que se refere ao Quilombo do Campo Grande. Combate equívocos e erros grosseiros. Ela é definitiva pela sua sinceridade documentada e levará para a historiografia brasileira a correta História do QUILOMBO DO AMBRÓSIO.
Resta destacar um traço de sua personalidade forte e sincera: a humildade que mora nela. Aceita o debate. Não foge da raia.
O livro é valente no combate, corajoso porque enfrenta, viril porque garante para a História, particularmente, para Minas Gerais, o foro da verdade, pois “a verdade existe. Só a mentira é inventada”.

(*) Jorge Lasmar
Historiador e Presidente do
Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais - IHGMG

 

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