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Este livro trata dos últimos dez anos de História que antecederam os supostos 300 anos das Minas Gerais, em continuação ao livro anterior, “Minas Gerais: ORIGENS” que documentou os primeiros trinta e sete anos dessa epopeia

Este é o segundo livro da coleção “Minas Gerais” do historiador Tarcísio José Martins. Trata-se da parte final dos 47 anos de História que antecederam aos “supostos 300 anos das Minas Gerais”. Brasil, São Paulo e Minas Gerais – História e Sociologia, século XVIII, anos de 1711 a 1721. Descobrimento e Povoação das Minas. Fatos e causas das Revoltas de 1718-1720 e da criação das capitanias autônomas de São Paulo e das Minas Gerais. Inclui fontes primárias e bibliográficas. Com 960 páginas, 1543 notas de rodapé e 102 ilustrações coloridas. Registro Direitos Autorais CBL nº  357841, de 09.08.2021. ISBN – 978-65-00-31495-3. CDU – 981.028/031+033”17”. 283192. CDD-981. 

Sempre discriminada, a Comarca e a Cidade de São Paulo, apesar da promessa de ser a capital da nova Capitania, passou esses últimos dez anos no esquecimento e numa grande pobreza imposta pelos governantes portugueses, que além de lhes tirar o Porto de Santos, tiraram-lhes também os administrados índios e proibiram que pudessem adquirir mais de 200 escravizados negros por ano, isto, porque sempre temeram o crescimento dos paulistas. 

Este livro traz documentada a ereção das Vilas e Comarcas, como máquinas tributárias dos primórdios das Minas do Ouro, mostrando que o sistema de Quintos por Bateias nunca foi implantado nas Minas e que os sistemas utilizados foram os de Oferta do Povo, transformado no Sistema por Capitação, com a simultânea promessa de se implantar os Quintos por Casas de Fundição, cuja pendência por mais de um ano, aliada à opressiva Capitação, foi a causa direta dos Motins de Vila Rica, entre outros.

Em capítulo especial, tratando da verdadeira participação administrativa, tributária, política e militar dos negros nas Minas do Ouro, a importância da Comarca do Rio das Mortes e seus heróis brancos e negros, contra os quais se lançou o criminoso conde de Assumar, inventando uma falsa sublevação de seus negros, isto, com a finalidade de forjar um falso currículo para um militar seu apaniguado para quem queria obter do Rei uma promoção, no que, felizmente foi desmascarado pela probidade e coragem de seu ouvidor-geral e juiz ordinário, o que foi confirmado também pelas justiças de Ouro Preto.

Traz também a verdadeira e documentada História das Revoltas de Pitangui, último reduto dos paulistas nas Minas do Ouro, demonstrando uma perseguição implacável de dom Brás Baltazar e do conde de Assumar contra seus pioneiros, onde esses governadores, com a ajuda de administradores corruptos da Vila do Sabará, impuseram àqueles paulistas uma absurda e criminosa opressão tributária, exigindo que pagassem mais de dez vezes, chegando a trinta vezes mais do que realmente deviam de tributos, se é que deviam. Ante a justa reação de Domingos Rodrigues do Prado, Assumar arregimentou tropas compostas de mais de 400 militares, civis e escravizados e mandou atacar Pitangui. Atacaram as casas de vivenda desse paulista e, sob o comando do ouvidor-geral do Sabará, invadiram Pitangui e, com a fuga dos paulistas, passaram a confiscar seus bens, vivendas e lavras, verdadeiro objetivo do ataque, que visou também povoar de reinóis aquela Vila paulista e roubar tudo que a estes pertencia. 

Também quanto aos Motins de Vila Rica, esse livro traz muitos fatos e documentos inéditos, os quais, analisados quanto às suas causas e efeitos, revelam a terrível opressão tributária imposta aos pobres pelo sistema de Quintos por Capitação, bem como, o vencimento antecipado das dívidas dos mineiros, a fuga do crédito e da oferta de bens, inclusive de escravizados negros, levando as Minas ao esvaziamento populacional e à absoluta pobreza e miséria dos que insistiram em ali permanecer, tudo isso, consequência também da estúpida publicação antecipada em um ano da lacunosa e incompleta Lei das Casas de Fundição, prestes a ser prorrogada por mais dois anos de espera danosa e fatal para a economia mineira. Assumar elege pessoas a quem sempre tivera por inimigos pessoais, a quem atribui a liderança desse movimento popular, os quais manda prender e enviar para o Rio de Janeiro, sendo que, no caso do heroico reinol, Felipe dos Santos, manda executá-lo criminosa e cruelmente. Depois, como mentiroso contumaz que sempre foi, Assumar tenta criar factoides que pudessem amenizar esses seus crimes, culminando com o famoso Discurso Político que mandou publicar em Portugal, eivado de mentiras e dolosos sofismas, visando a recuperar sua imagem no Reino, o que só conseguiria em parte, cerca de mais de vinte anos depois, sem emprego e sem apoio real. Todas as pessoas acusadas por Assumar foram absolvidas em Portugal, além de terem sido também perdoados pelo Rei, perdão que alcançaria inclusive Felipe dos Santos, se ainda estivesse vivo.

Finalmente, esse livro traz uma abordagem documentada e inédita da História da Comarca do Sabará, Serro do Frio, de Manuel Nunes Viana e dos Currais que, aliás, eram paulistas e não baianos. Mostra que, apesar de terem sido Manuel de Borba Gato e seus paulistas os descobridores e fundadores dessa Vila e Comarca, a Vila de Sabará foi totalmente tomada por reinóis desonestos que se locupletaram à custa do sofrimento e expulsão dos paulistas de sua Vila e da de Pitangui. A ausência de demarcação de suas fronteiras a norte, fez com que os vice-reis e governadores-gerais do Estado do Brasil, sediados na Bahia, passassem a inventar mentiras e a patrocinar o desvio do ouro, a sonegação tributária e o esbulho possessório de terras mineiras para a Capitania da Bahia. Para isso, esses criminosos vice-reis, em apoio à família de dona Isabel Maria Guedes de Brito, passaram a apoiar ao contrabandista, ladrão e assassino Manuel Nunes Viana, procurador de Isabel, para que propiciasse e facilitasse todos esses crimes que praticaram ou intentaram contra as Minas. Simultaneamente, esses vice-reis passaram a produzir falsas correspondências engrandecendo os feitos e supostos serviços do criminoso Nunes Viana. Ao final, o conde de Assumar, ajudado pelo conhecimento de paulistas que permaneceram nas Minas, conseguiu destruir as mentiras dos vice-reis perante o Reino e, assim, demarcar o norte das Minas Gerais, com as delimitações que hoje tem. Quanto ao descobridor e fundador Manuel de Borba Gato, a Comarca de Sabará e, parece, todas as Minas Gerais, dele se esqueceram, não sabendo até hoje, sequer a data de seu falecimento ou onde teria sido sepultado, apesar de ter vivido até seus últimos dias a noroeste da atual Cidade de Sabará. Assim, a Vila de Sabará teve de engolir o criminoso, ladrão e assassino Manuel Nunes Viana que, finalmente, por força das mentiras dos vice-reis da Bahia, recebeu várias benesses e hábitos do rei de Portugal, incluindo a titularidade de um cartório judiciário na Vila de Sabará, sem se falar que a atual cidade Caeté lhe dedicou até mesmo uma estátua em praça pública. As crianças e os jovens de Minas Gerais, esperamos, ao ler o presente livro, vão descobrir a verdadeira História dos primórdios das Minas e destacar os seus verdadeiros heróis.

Tarcísio José Martins

Este livro está à venda exclusivamente na Loja Virtual da 
MG QUILOMBO Editora Ltda